Primeiros resultados da safra 2026/27 mostram avanço da produtividade agrícola no Centro-Sul
Primeiros resultados da safra 2026/27 mostram avanço da produtividade agrícola no Centro-Sul
Dados acumulados até 24 de maio indicam produtividade acima do mesmo período da safra anterior, enquanto o ATR se mantém em patamar próximo ao ciclo passado
Os primeiros resultados da safra 2026/27 da cana-de-açúcar indicam avanço da produtividade agrícola no campo. Com a colheita já em velocidade de cruzeiro, os dados acumulados até 24 de maio de 2026 mostram produtividade acima da média observada no mesmo período da safra anterior, embora ainda exista grande dispersão entre as regiões produtoras.
O ATR, por sua vez, permanece em patamar próximo ao registrado no ciclo passado. Quando produtividade e ATR são analisados de forma combinada, o resultado aponta para uma produção de açúcar por hectare superior à observada no mesmo período da safra 2025/26.
Essa leitura conjunta é importante porque a produtividade influencia diretamente o custo da matéria-prima, enquanto o ATR impacta a eficiência industrial e a quantidade de açúcar recuperável por tonelada processada.
Em resumo
- A produtividade agrícola iniciou a safra 2026/27 no Centro-Sul acima do mesmo período da safra anterior.
- Impulsionado, principalmente, pelas boas condições climáticas da última entressafra, os dados acumulados até 24/05/2026 mostram um indicador de produtividade 10,4% superior ao mesmo período do ciclo 2025/26.
- A idade média do canavial e a adoção de pacotes tecnológicos também ajudam a explicar o ganho observado no campo.
- O ATR da cana própria, por sua vez, está 1,5% abaixo em relação à safra anterior.
- A combinação entre produtividade e ATR aponta para produção de açúcar por hectare acima do mesmo período do ciclo passado.
- Um benchmarking detalhado é a ferramenta ideal para comparar indicadores de produção e identificar oportunidades de eficiência.

Variação semanal e acumulada da produtividade agrícola da cana-de-açúcar no Centro-Sul. Dados acumulados até 24/05/2026. Fonte: PECEGE Consultoria e Projetos.
O que os primeiros resultados indicam sobre a safra 2026/27?
Os dados iniciais mostram um cenário positivo para a safra de cana-de-açúcar. No Centro-Sul, a produtividade acumulada até 24 de maio de 2026 ficou 10,4% acima do mesmo período da safra 2025/26.
Esse resultado indica maior volume de cana produzido por área. No entanto, o comportamento não é uniforme entre as regiões produtoras. A dispersão regional mostra que o avanço da produtividade ocorre em diferentes intensidades, o que torna a análise regional essencial para compreender o desempenho da safra.
O ATR, indicador que mede o Açúcar Total Recuperável, apresentou comportamento diferente. No caso da cana própria, o acumulado permaneceu 1,5% abaixo do mesmo período da safra anterior.
Ainda assim, quando os dois indicadores são analisados em conjunto, a produção de açúcar por hectare fica acima da registrada no mesmo período do ciclo passado.
Por que a produtividade avançou no campo?
O avanço da produtividade agrícola está associado, em parte, às boas chuvas registradas em dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. Essas condições favoreceram o desenvolvimento da cana e contribuíram para o ganho observado no campo neste início de safra.
Além do efeito climático, outros fatores também ajudam a explicar o resultado. A idade média do canavial e a adoção de pacotes tecnológicos no campo contribuíram para esse resultado.
Dessa forma, o aumento observado não deve ser atribuído a um único fator, mas à combinação entre condições climáticas favoráveis, características do canavial e decisões relacionadas ao manejo e à tecnologia utilizada no campo.
O que explica o comportamento do ATR neste início de safra?
O ATR se mantém em patamar próximo ao da safra anterior, mas ainda apresenta diferença negativa no acumulado da cana própria em relação ao ciclo 2025/26.

Variação semanal e acumulada do ATR da cana própria no Centro-Sul. Dados acumulados até 24/05/2026. Fonte: PECEGE Consultoria e Projetos.
Esse comportamento se deve à maior umidade no início da safra, que favorece a fase vegetativa da cana, ligada ao crescimento e ao desenvolvimento da planta, em detrimento da fase de concentração de açúcares.
Por isso, neste momento da safra, é possível observar avanço da produtividade agrícola sem que o ATR acompanhe o movimento na mesma proporção. Nesta etapa, o uso de ferramentas tecnológicas, como estratégias nutricionais e maturadores, pode auxiliar na concentração de açúcares.
Por que produtividade e ATR precisam ser analisados juntos?
A produtividade e o ATR são indicadores complementares. Enquanto a produtividade mostra o volume de cana produzido por área, o ATR indica a quantidade de açúcar recuperável presente na matéria-prima.
Quando a produtividade aumenta, a operação tende a diluir custos fixos. Em outras palavras, produzir mais cana na mesma área reduz o custo unitário da matéria-prima, desde que o custo necessário para obter esse ganho seja menor do que a receita proporcionada por ele.
O ATR, por outro lado, impacta diretamente a eficiência industrial. Quanto maior o ATR, maior é a quantidade de açúcar recuperável por tonelada processada. Isso aumenta a produção de açúcar e etanol sem necessidade de ampliar proporcionalmente a moagem.
No caso dos produtores de cana, o ganho com aumento do ATR pode impactar a receita, a depender do tipo de contrato estabelecido com a usina.
Quais são os efeitos práticos para a operação?
A combinação entre maior produtividade e melhor qualidade da cana pode gerar impactos relevantes para a operação agrícola e industrial.
Na prática, esse movimento pode significar:
- menor custo por tonelada de cana produzida;
- menor custo por quilo de açúcar ou litro de etanol;
- melhor aproveitamento industrial;
- redução do consumo relativo de insumos, combustível e logística;
- maior margem operacional mesmo em cenários de preços pressionados.
Esses efeitos reforçam a importância de acompanhar produtividade e ATR de forma integrada. O aumento da produtividade pode melhorar a eficiência agrícola, enquanto o ATR influencia o aproveitamento industrial da matéria-prima.
Por que o benchmarking regional é importante?
Outro ponto fundamental é comparar os indicadores da operação com outras empresas da mesma região por meio de benchmarking.
Uma análise regional e detalhada permite identificar gargalos operacionais, diferenças de manejo e oportunidades de ganho de eficiência que muitas vezes passam despercebidas em análises isoladas.
Usinas e produtores de cana que acompanham seu posicionamento em custos, produtividade e ATR conseguem tomar decisões mais rápidas e estratégicas sobre gestão, manejo e investimentos tecnológicos. Afinal, comparar os próprios resultados com referências regionais ajuda a entender se determinado desempenho está ligado a uma condição geral da região ou a fatores específicos da operação.
O que acompanhar nas próximas semanas?
A evolução semanal dos indicadores agrícolas e industriais será decisiva para entender a continuidade do desempenho observado neste início de safra.
Entre os principais pontos de atenção estão a produtividade agrícola, o comportamento do ATR e a produção de açúcar por hectare. A leitura conjunta desses indicadores permite avaliar não apenas o volume produzido, mas também a qualidade da matéria-prima e seus efeitos sobre custos, eficiência e margem operacional.
Acompanhar esses dados semanalmente também contribui para uma tomada de decisão mais ágil. Com informações comparativas, usinas e produtores podem ajustar estratégias de manejo, gestão e investimento tecnológico ao longo da safra.
Conclusão
Os primeiros resultados da safra 2026/27 mostram avanço da produtividade agrícola no Centro-Sul, com desempenho acumulado superior ao mesmo período da safra anterior. O resultado é influenciado pelas chuvas da última entressafra, pela idade média do canavial e pela adoção de pacotes tecnológicos no campo.
O ATR permanece em patamar próximo ao ciclo passado, mas ainda apresenta diferença negativa no acumulado da cana própria. Esse comportamento está relacionado à maior umidade do início da safra, que favorece o crescimento vegetativo da cana mais do que a concentração de açúcares.
A principal leitura é que a combinação entre produtividade e ATR aponta para produção de açúcar por hectare acima do mesmo período da safra anterior. Para usinas e produtores, acompanhar esses indicadores de forma integrada e comparativa é essencial para identificar oportunidades de eficiência e tomar decisões mais rápidas ao longo da safra.
Para comparar semanalmente a evolução dos indicadores agrícolas e industriais, o relatório Compara Safra, do PECEGE Consultoria e Projetos, reúne dados técnicos e benchmarking regional para apoiar a tomada de decisão no setor sucroenergético.
Glauber dos Santos
Artigo publicado em 03/06/2026 .