O maior vilão do custo da cana não está nos fertilizantes. Está na operação.

04/08/2026 | Custos | Por Glauber dos Santos

Quando analisamos a composição do custo operacional da safra 2025/26, um número chama a atenção: 52% do custo de produção está concentrado na operação, despesas essas que podemos considerar como custo fixo (máquinas, diesel, mão-de-obra...). Enquanto isso, todos os insumos agrícolas somados representam aproximadamente 25% do custo. 

Isso muda completamente a forma de enxergar a gestão da atividade.

Sempre existe espaço para negociar melhor, otimizar o uso de fertilizante ou um defensivo. Mas dificilmente uma boa negociação gera tanto impacto quanto ter uma operação mais eficiente durante toda a safra.

A pergunta deixa de ser "como comprar mais barato?" e passa a ser: "Como produzir mais utilizando a mesma estrutura?" A resposta passa por diversos fatores que, isoladamente, parecem pequenos, mas juntos fazem enorme diferença no custo por tonelada.

Quando pensamos em otimizar custos, cada rubrica tem que ser avaliada e discutida. Porém, devemos começar olhando a conta que mais representa no custo, no caso da cana de açúcar essa conta chama-se operação. E, como podemos ajustar o custo operacional? Quais os impactos da operação no custo? 

Quando falamos em custo com operação quatro pilares de grande relevância devem ser analisados:

Pilar 1 - Plantio, foco em longevidade

Boa parte da eficiência futura nasce no momento do plantio. Qualidade da muda, distribuição uniforme, atenção com compactação do solo, profundidade adequada, bom fechamento do sulco e maior estande populacional aumentam a probabilidade de formar um canavial mais produtivo e duradouro. E consequentemente, diluir o custo com esse investimento inicial.

Cada reforma evitada representa economia. Canaviais longevos permitem diluir investimentos de implantação por mais cortes, reduzindo significativamente o custo anual da produção. A longevidade depende da soma de um bom plantio, manejo adequado, conservação do solo, controle de tráfego, pragas e doenças e uma colheita de qualidade.

Pilar 2 - Colheita, foco em rendimento operacional

Colher bem também é produzir bem. Perdas elevadas, excesso de impurezas, danos às soqueiras, compactação excessiva e logística ineficiente reduzem produtividade presente e comprometem as próximas safras. A colheita não encerra um ciclo; ela inicia o próximo. No fim, talvez o verdadeiro significado de "fazer mais com menos" não seja simplesmente cortar custos, seja otimizar os processos.

Se pensarmos que a quantidade média de cana que uma colhedora colheu na safra 25/26 foi de 504 ton (Fonte: Pecege Consultoria, 2026), já é possível imaginar o tamanho de oportunidade que temos neste processo, seja uma questão da automotiva (disponibilidade da máquina) ou por questão fitotécnica (maior produtividade – ton/ha).  

Pilar 3 - Pessoas, foco em senso de dono.

Tecnologia sozinha não resolve. Operadores comprometidos, treinados e conscientes da importância do seu trabalho costumam entregar maior produtividade, menor consumo de combustível, menos quebras e menor retrabalho. Para isso, eles precisam estar cientes dos impactos que uma operação inadequada pode gerar, da importância dos indicadores da operação e do custo de cada etapa operacional.

Confiar na equipe e criar uma cultura voltada para eficiência operacional normalmente gera resultados muito superiores aos obtidos apenas pela aquisição de novas máquinas.

Pilar 4 - Solo, foco em sustentabilidade

A eficiência começa muito antes da colheita. Reduzir a compactação do solo, ter maior controle de tráfego, preservar a estrutura física, química e biológica significa manter boas condições para o desenvolvimento radicular das plantas, auxiliando assim, o canavial ter plantas mais vigorosas e de maior longevidade.

No correto manejo do solo, talvez, esteja o item onde você mais pode contribuir com para o aumento de produtividade e consequentemente, diluir o seu custo fixo. Você permitindo maior desenvolvimento de raízes, significa a construção de galerias para infiltração de água, favorece a vida microbiológica e potencializa o uso de fertilizantes. 

Em resumo, quando a produtividade aumenta, o custo fixo é diluído, quando o canavial permanece produtivo por mais anos, o investimento inicial é diluído, quando máquinas, pessoas, solo e manejo trabalham de forma integrada, o custo por tonelada naturalmente diminui e o retorno financeiro torna evidente.

A gestão eficiente da operação não é apenas uma estratégia para otimizar custos. É um importante caminho para aumentar a competitividade da produção de cana-de-açúcar.

Glauber dos Santos

Artigo publicado em 04/08/2026 .

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